sábado, 15 de março de 2014

Quando ficamos vazios!

Por vezes a vida deixa-nos sem palavras. E assim o faz a morte também.

Fica-se sem palavras não por causa da angústia, da tristeza, da incapacidade de falar sem lágrimas, da dor na alma. É o vazio! Ficamos sem palavras porque ficamos sem nada. As mortes que nos deixam sem palavras são aquelas que julgamos que levaram tudo consigo, aquelas pelas quais daríamos mesmo tudo para que não fossem, aquelas que já nem há dor porque parece que nos levam a alma.

Desta vez não fiquei sem palavras. Consigo dizer a minha tristeza, consigo sentir a minha dor e a falta dessa pessoa mas conheço a sensação de ficar calado porque se está vazio... Resta a esperança das palavras alheias, que o tempo nunca apagará esse espaço que ficou vazio mas, aos poucos, vai enchê-lo com a ternura das recordações... A dor nunca passará mas aprender-se-á a viver com ela!

Até sempre Tia Lena!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014


(Mendonza, Argentina, June 2010)

 Por vezes perco tanto tempo a esperar, a pensar que o melhor ainda está por vir que me esqueço de agradecer por tudo que já vivi. Muitos podem pensar que não vivi nada ou quase nada. Não interessa, já vivi muito! Os sonhos que peço a Deus são grandes, demasiado grandes para mim mas não para Ele, mas a minha vida já foi e é maior que alguma vez imaginei. É uma chapada nas teorias sociológicas, eu sou uma excepção à regra da sociedade.
E esta vida tão magnífica não teria sido possível sem as Suas bênçãos, principalmente aquelas que vêm em forma de amigos e família.

E é impossível não olhar para o céu sem ser Feliz!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014



Cada vez acredito menos naquele cliché "Home is where your heart is". Já deixei o meu coração em vários lugares, alguns dos quais acredito que nunca voltarei. Triste a vida sem aquela sensação de voltar a casa!

A minha casa é onde eu escolho estar e, bençãos das bençãos, Deus sempre me permitiu ir para onde quero estar. Escolhi vir para Coimbra, foi o que quis e não só por motivos profissionais; queria mudar de cidade, queria deixar coisas para trás. Mudei de cidade e as coisas foram se deixando até ficarem realmente para trás. É no meu minúsculo apartamento que tenho as coisas que recuso abandonar (pelo menos por agora). Coimbra é o sítio que assiste diariamente às cenas mais importantes e os detalhes mais banais da minha vida, é claro, que neste momento, é aqui que me sinto em casa! E as pessoas... ah! essas pessoas que me assistem às alegrias e tristezas do dia a dia estão aqui, elas existem, as que me são indiferentes e as me são essenciais. É onde sinto alivio por ter chegado, depois de umas férias, uma visita a amigos, uma longa viagem; onde o meu corpo pode descansar das batalhas da vida.

E nunca durmo profundamente onde não me sinto em casa!

domingo, 9 de fevereiro de 2014




Há dias em que a resposta que mais se dá é: "Não é nada!"... mas que é tudo! Há dias que são todos os problemas,todas as coisas que não se fizeram, todas as que se fizeram mal...que são todas as frustrações, que são todas as nuvens cinzentas no céu, que são todas as pessoas, que são todas as faltas, toda a solidão, todas as saudades; todos os sonhos que ainda não foram, todos que nunca serão! Há dias que é tudo!

Não adianta fazer de conta que esses dias não existem, não vale ignorá-los e não vale a pena fazer deles o sentido da nossa vida. Há que pegar nessa maré cheia de sentimentos e  recordações que trazem e gozá-la até partir. Eles virão sempre, os dias em que é tudo... Em épocas felizes; em épocas tristes.Podem levar uma eternidade, podem durar escassos momentos. Dias que é tudo e que não é nada, são dias de vida; são dias cheios de vida!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014





Há um mundo lá fora que não espera por ti... ou melhor, espera. Espera o teu erro, o teu tropeção, que fiques para trás para poder olhar-te por cima do ombro. A nossa natureza humana está formatada  da maneira errada.

Ainda bem que Deus nos deu uma alma, um cérebro e uma capacidade de sobrevivência só ultrapassada pela da barata. E mesmo essas, falecem debaixo dos nossos pés!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014



Coimbra tem um encanto escondido... e não é dos estudantes trajados (cada vez mais raros) espalhados pela cidade. Para ver uma cidade cheia de estudantes trajados, todos os dias, vários por dia, vai-se ao Porto... Acho que Coimbra vive na sombra de uma tradição estudantil que já não é o que era. Não, não é esse encanto... Não é uma cidade de massas, cosmopolita nem na berra. Acho que é isso que mais me encanta. Existe uma nostalgia muito portuguesa no lento correr do Mondego, existe uma estranha esperança que o melhor ainda está por vir, como que se o vagaroso correr das águas nos prometesse o futuro que não ousamos pronunciar em alta voz com medo que não se realize! É um fado que já foi cantado, uma despedida já ansiada. Estou encantada com Coimbra! 

E é neste avesso da vida que nasce este blog, num caos que procura continuamente um sentido e uma busca que só faz sentido se for contínua. Porque a vida será sempre um caos! Não adianta a felicidade ou uma vida perfeita, há sempre coisas que acontecem por acaso, há sempre coisas que acontecem porque têm que acontecer. Há sempre a sorte e o azar, há sempre a acção e a consequência! Há amores e desamores, há partidas e chegadas. Há os sonhos que necessitam ser resonhados. Há sempre a imperfeição que dá sentido a tudo e nos torna humanos!

Há sempre uma filosofia barata em cada blog!